MÍDIA

 

A professora Simone Deos, do Instituto de Economia da Unicamp, participou do especial “O país que queremos”, publicado por O Globo, em debate sobre a manutenção do abono salarial. Criado pela Constituição de 1988, o benefício funciona como uma complementação anual de renda para trabalhadores formais que recebem até dois salários mínimos e está no centro das discussões sobre gasto público, focalização de políticas sociais e proteção ao trabalho de baixa remuneração.

Na análise de Simone Deos, o debate fiscal não deve partir automaticamente da premissa de que a existência de déficit público exige corte de despesas. Para a professora, antes de reduzir ou extinguir uma política, é necessário avaliar qual função ela cumpre. No caso do abono, seu objetivo não é combater a pobreza extrema, reduzir a informalidade ou enfrentar o desemprego, mas reforçar a renda de trabalhadores formais de baixa remuneração, grupo que continua vulnerável em uma economia marcada por baixos salários, rotatividade elevada e vínculos instáveis.

Simone reconhece que o desenho do programa pode ser discutido, com maior focalização nos salários mais baixos, progressividade do benefício e revisão de critérios de acesso. Porém, contesta a ideia de que o abono “não serve para nada”. Para ela, complementar a renda de trabalhadores de baixos salários constitui um objetivo legítimo de política pública e deve ser avaliado nesses termos.

 

Leia o especial completo em O Globo:
https://oglobo.globo.com/economia/especial/o-pais-que-queremos-o-abono-salarial-deve-ser-mantido.ghtml